13 dezembro 2017

How people treat you is their karma. How you react is yours.



O meu lema de vida desde que os meus olhos bateram nesta frase é: como te tratam, é o karma deles, como tu reages é o teu.



Acredito que tudo aquilo que se faz de bom e de mau tem o seu retorno, e o que é para nós, está guardado. Fervo em pouca água mas não mostro. Guardo muita coisa para mim, mas comecei a relativizar as coisas e deixar o karma tratar dessas pessoas e das suas atitudes menos boas, lá à maneira dele. Não questiono, espero que chegue, e se não chegar o mal é deles. Agradeço tudo o que tenho e encolho os ombros a quem acha que tem tudo mas não tem nada. E há quem seja mais velho que eu mas precise de muitas vidas terrenas para chegar onde eu já vou. Agradeço por ser assim também.

Chamem-lhe o que quiserem, podem dizer que Deus trata disso, eu chamo-lhe karma.

E acreditem, as pessoas acabam por pagar, e pode ser das maneiras mais estranhas e inesperadas. Tanto, que às vezes nem se dão conta, mas lá no fundo, estão a pagá-las, ou já pagaram. E isso reconforta-me. A vida encarrega-se disso, só tenho pena se não aprenderem nada, mas já é uma escolha que não me cabe a mim.

Toda a minha vida me considerei uma pessoa justa e de pés no chão, e toda a minha vida me esforcei por aquilo que quis, que não tem nada a ver com a ambição dos outros. Cada vez mais aprendo a celebrar as minhas pequenas vitórias mesmo quando mais ninguém as vê. E quando falha alguma coisa, o universo trata de repor a ordem e tudo volta a alinhar-se, mais cedo ou mais tarde.

Como diz a Sofia:
Lembra-te: a vida é mais dura do que devia. mas tu também és.
(se sou)

06 dezembro 2017

Os adeus


Cada vez que morre alguém que tem idade para ser meu avô sinto que morre mais um bocado de mim. São pessoas que fazem parte da minha vida ainda que de uma maneira muito leve, mas que nos habituamos a ver e a cumprimentar, que vivem lado a lado com os nossos e quando eles partem há mais uma pessoa que faz parte da nossa história que morre. E enquanto vivemos é isso que acontece: bocados da nossa história vão morrendo, até ser a nossa vez.

Ao mesmo tempo, enquanto nós vivemos e recordamos essas pessoas da nossa história elas continuam vivas, e é por isso que eu acho importante estar lá nos funerais. Custa-me horrores, mas vou, é um momento único, e se deixamos para depois não volta a existir. Se queremos estar lá para um último olá e adeus, é naquela hora. E é horrível, sinto-me sempre mal num cemitério quando é para ir a funerais. Se for só para visitar dói menos.

Nunca tive grande interacção com o Sr. J. mas conheciamo-nos desde sempre e quando nos cruzávamos ele dizia sempre a mesma coisa, "olá boneca, estás tão gira!". Antes tinha uma barriga de cerveja, com o passar do tempo tinha cada vez menos, parecia demasiado magro, ia para o carro e ficava lá ao Sol, depois teve um acidente ou provocou algum acidente (não sei o que foi) e tiraram-lhe a bateria do carro para ele não poder conduzir. Encontrava-o muitas vezes no barco quando ia para a faculdade, e mesmo depois disso. Ia muitas vezes sozinho. Das últimas vezes ia apanhar o autocarro já nem sabia bem para onde ia.

Depois deixou de ir e deixei de o ver nos transportes e no prédio. Meteram-no num lar. Não é nada fácil ser cuidador informal, exige muito física e psicologicamente, mas toda a gente sabe que um lar é meio caminho andado para o cemitério. Ao que parece faleceu numa unidade de cuidados cuidados continuados.

Estava frio, algumas nuvens, não muita gente. Gente mais velha como é normal. Os familiares mais chegados estavam lá e tirando um senhor que não conheço que se fartou de chorar, o resto da família não chorou uma lágrima. E isso meteu-me muita confusão. Sei que as pessoas têm maneiras diferentes de demonstrar e lidar com a tristeza, mas aquilo não se pareceu com nada disso. Não quero estar a ser fria, mas eu não conseguia reagir assim. Tentei controlar-me o melhor que pude como sempre mas acabei por chorar um bocado. A morte chega a todos, e até podemos conformar-nos com isso, mas isso nunca implica que não se chore.

28 novembro 2017

COISAS QUE ME FAZEM FELIZ



FEIRAS




Como já disse por aqui, não sou uma pessoa muito materialista, mas ainda preciso de algumas coisas para casa - uma banqueta para a entrada, uma cadeira, um cadeirão, uma mesa de apoio e pouco mais. A minha primeira opção é ver sempre o que há por aí em segunda mão.

Toda eu sou felicidade quando vou visitar um sítio e de repente há...uma feira! Fui a pessoa mais feliz de Bruxelas durante os dias que lá estive, porque TODOS OS DIAS havia feira na praça mesmo à porta do hotel. Todos os dias de manhã eu dava a minha voltinha matinal ♥

(vocês sabem lá as coisas giras e bonitas que se encontram em caixotes ou em feiras!)





























DISCOS DE VINIL




Onde há lojas de discos de vinil, eu estou lá. Não consigo passar por uma e não entrar para ir ver que achados têm. Entrar em lojas de discos faz-me sentir parte de um gang - o gang que fica horas e mexer em caixas até encontrar alguma coisa especial. Todas as pessoas que ali estão na loja - geralmente tipos góticos ou de rastas, pessoal mais velho e pessoal mais jovem alternativo - tem o mesmo fascínio por aquele objecto. E geralmente são apreciadores de música "a sério", e isso deixa-me feliz. Lembro-me sempre do rapaz na feira de Camden que estava indeciso com um vinil na mão e eu disse (ás vezes não faz mal falar com estranhos) "é melhor levar, depois arrependemo-nos sempre porque nunca sabemos quando vamos encontrar outro assim!" e ele levou!
Já trouxe discos de vinil de várias cidades da Europa e há qualquer coisa de muito reconfortante em saber que para além de ser uma recordação desse sítio, é uma peça que vai ficar na colecção e que sempre que ouvir vou associar à viagem.


CAT MERCHANDISING

O Cat Merchandising foi um "conceito" que adoptei para mim todas as vezes que viajo (ou que não viajo mas vejo algum que me interessa). Eu gosto de gatos - pff, qual é a novidade? - mas sempre fui contra as pessoas oferecerem-me tudo com gatos. Nunca quis pijamas com gatos, meias com gatos, malas com estampas de gatos, t-shirts com gatos (já aconteceu), serviços de chá com gatos (já aconteceu e é lindo, amo e uso mil vezes) mas, a minha vida não gira em torno de "merchandising de gatos". A minha vida gira em torno da minha gata, que vive e respira, isso não que dizer que eu queira tudo o que houver neste mundo com um gato.

However, numa viagem a Londes, fiquei coladinha a uma loja de coisas esquisitas, a loja chama-se mesmo Strange - estão a ver uma criança com as mãos numa montra de vidro com brinquedos ou doces? isso - porque havia uma gata do Dia de los Muertos na Montra. Adorei aquele objecto assim que o vi, entreguei, perguntei o preço e "ok vamos aguardar porque ainda não fui a montes de sítios e pode ser que encontre outra peça que me interesse mais". O tanas. Voltei duas vezes à loja e estava fechada. O meu voo era no dia seguinte e eu queria aquele gato com todas as minhas forças, já estava arrependida de não a ter comprado logo. Passei por lá demasiado cedo, estava fechado, fui para uma loja de BD fazer tempo e quando voltei finalmente comprei a gata e vim embora feliz da vida.
Até hoje é provavelmente a minha peça preferida em toda a casa.

Desde aí quando viajo, tento encontrar uma peça (se se proporcionar - um gato, vá) decorativa para trazer. Se não encontrar nada que me agrade óbvio que não trago, mas geralmente aparecem. Não me tornei uma cat lady com a casa cheia de areia no chão, mas tenho uma colecção mínima de gatos num aparador, e não me arrependo nem um bocadinho.


3. ILUSTRAÇÕES / POSTAIS / FOTOS


Quem não ama magnéticos? Em Frankfurt não encontrei nem um que me enchesse as medidas e por isso veio este de um quadro do Franz Mark, um dos meus pintores preferidos, que encontrei no Städel Museum. Os postais valem sempre o que valem, são ilustrações ou fotos bonitas a um preço sempre acessível ♥ Há muitas feiras aqui em Portugal com bons ilustradores portugueses e estrangeiros a vender o seu trabalho a um preço acessível. Experimentem a Crafts & Design do Jardim da Estrela!


Fotografias vão ser sempre uma perdição. Quando somos pessoas de gráfico, é normal gostarmos de tudo o que seja cultura visual por isso parece que nunca são demais.


4. FLORES / JARDINS


Custa-me comprar flores e que me ofereçam flores. Prefiro plantas em vasos que não têm de ser mortas para eu as poder ter temporariamente em exibição. Muitas vezes já não há volta a dar e lá vem um ramo para decorar a casa mas regra geral são sempre oferecidas e nunca compradas.

Se estou em passeio onde quer que seja uma das coisas mais bonitas de ver são os jardins. Ultimamente ando viciada em bonsais. Depois do fiasco do meu primeiro bonsai que o meu querido pai matou em três dias (talvez a culpa tenha sido minha e já não houvesse volta a dar, nunca vamos saber) comprei mais dois. Um igualzinho ao anterior, um ligustrum, que continua de boa saúde (até ver) e um ficus igual ao da foto em cima, que é para lá de imortal e aconselho a qualquer iniciante como eu.


5. LIVROS




Uma das minhas resoluções de Zero Waste foi deixar de comprar livros. Mas é difícil (muito difícil), porque toda a minha vida li muito e não consigo não ter um livro (ou dois) para ler. Como sou daquelas leitoras que se o livro não cativa vai logo para o lado, a biblioteca tem resultado, porque não estou a pagar por livros que depois não leio. Mas tenho sempre alguns autores mais "certos" que à partida vou gostar, e esses compro. Por exemplo, li o Cinco Quartos de Laranja à uns bons anos numas férias de Verão e gostei tanto que o comprei em segunda mão, como novo, e estou prestes a acabá-lo.

Por isso, ainda que não seja compradora compulsiva de livros, quando compro tenho o cuidado de ver se há em segunda mão, assim pelo menos promovo uma economia circular. Não há nada melhor que uma boa história. Só uma boa história com um gato e uma caneca de chá ♥

22 novembro 2017

Vento Norte (Nunca tanto foi tão fundo)

Quem me conhece à mais tempo sabe que eu tenho uma paixão assolapada por música que vem desde sempre. Ouço um bocadinho de tudo (felizmente não ouço muita música comercial). A minha prima meio portuguesa meio brasileira diz que eu tenho gosto musical de "velhinha moderna" no que toca a música brasileira, que ela não tem paciência para Chico Buarque.

Chico Buarque é a praia de um dos amigos do meu pai que quando vai lá a casa toca sempre qualquer coisa - naquela guitarra eléctrica que supostamente é do G. mas ninguém sabe tocar nada a não ser eu, que já não vivo lá - e eu fico sempre feita parva hipnotizada a olhar e a pensar "quero tanto tocar assim". Era capaz de me sentar ali no chão e ficar a ouvir e a vê-lo tocar durante horas.

Um dos meus hobbies favoritos é vasculhar discografias (isto faz de mim maluquinha?). Tenho muita sede de aprender coisas e quero sempre ouvir tudo e ver tudo e conhecer tudo e descobrir coisas. Ontem estive a fazer uma playlist de música portuguesa, umas mais conhecidas que outras e percebi que nunca ouvi os albums inteiros da maior parte dos artistas portugueses. Está mal, porque nem sempre as que nos tocam mais são os grandes hits. Do Luís Represas conhecia a 125Azul, a Neve sobre a Marginal, a Feiticeira - era a preferida da minha prof. de piano, a Ser Poeta da Florbela Espanca, a Da Próxima Vez e pouco mais.

Vai na volta decidi passar as primeiras horinhas de muitas a ouvir enquanto trabalhava e fiz algumas descobertas, nomeadamente esta, que passou a ser a minha favorita dele e que é só a primeira de muitas que vou partilhar:



Não é linda? ♥