09 fevereiro 2018

LITERATURA - 2ª GUERRA MUNDIAL

Chamem-me maluca mas adoro um bom livro sobre a 2ª Guerra Mundial. Não me julguem nem pensem que gosto ler sobre dor e tortura, que não é nada disso. Aliás, gostava muito de poder dizer que isto nunca aconteceu e é só um estilo de livro como as tantas dicotomias que andam na moda, mas infelizmente sabemos que não é verdade, e que não foi assim à tantas décadas assim, o que me faz pensar em que raio de humanidade nos tornámos! 

As guerras mundiais foram períodos muito negros da história e parece-me a mim que por mais livros que se leiam sobre o assunto, a realidade foi por certo muito mais bruta e crua do que qualquer livro nos possa contar. Mas ao mesmo tempo, ler sobre este tema, não é só "gostar de ler tristezas e sofrimento", é também ler sofre fé, preserverança, liberdade, coragem e muito mais. Estes são, so far, os livros que já li sobre o assunto. Todos escritos por pessoas diferentes, com histórias diferentes mas todas ligadas pela guerra.

Valem todos a pena. Não caiam no erro de ver primeiro o filme The Book Thief antes de lerem o livro...vão arrepender-se. O Rouxinol também vai estar nos cinemas, julgo que este ano, e se for bem adaptado vai ser um grande filme.

23 janeiro 2018

INSTAGRAM E A DESCRIÇÃO DAS PESSOAS


Até à bem pouco tempo eu, assim como a maioria das pessoas que usa esta rede social, também tinha a minha profissão na descrição. Depois achei que aquilo era uma estupidez e apaguei.

Porque é que a minha profissão é a segunda coisa mais importante logo a seguir ao meu nome? Isso faz algum sentido?
Se eu gosto do que faço? Claro. Se eu achava que o meu percurso ia ser assim? Claro que não! Se gosto de fazer outras 350 coisas diferentes? Também!
Então porque é que eu assumo perante o mundo que sou nada mais nada menos do que aquilo que faço durante 8 horas do meu dia, quando na realidade o resto é tão mais importante que isso?

A minha profissão não me define. Nem as vossas profissões vos definem a vocês, assim como as nossas casas não nos definem e nem o nosso corpo nos define. É muito mais fácil mudarmos de profissão do que mudar quem somos! Porque aquilo que somos, apesar de também ser mutável e de se ir ajustando ao longo do nosso percurso de vida, é muito mais intrínseco do que qualquer coisa que possamos aprender e exercer.

O erro não está nas pessoas serem felizes a fazer aquilo que fazem, seja lá o que for. O erro está na importância que a sociedade nos "ensinou" obrigou a dar à nossa profissão e aos estatutos associados. De que serve sermos a geração mais qualificada de sempre quando nem conseguimos pensar pela nossa própria cabeça?

Desigualdade sempre ouve, mas se um arquitecto até à umas décadas era uma pessoa altamente respeitável e profissional, hoje, mesmo que continue a ser, que continua, como qualquer outra profissão - como há mais arquitectos que oxigénio por m2 já desceram do pedestal de ao lado dos médicos e dos engenheiros e estão no top da lista de imigração. Falamos de profissões, e mais grave, de pessoas, como se estivéssemos a falar da cotação na bolsa.

O que é que um médico é mais do que eu ou tu? Até pode ser a pessoa mais antipática à face da terra! Podia estudar os anos que quisesse e continuar a ser uma besta :/

Porque é que há pessoas até formadas que têm vergonha daquilo que fazem? Condenados por uma escolha de um curso? Uma decisão que tomamos tão cedo e que não corresponde em nada com a realidade do mercado de trabalho? Como se isso fosse o fim da linha e tudo o que acontecer de mau depois seja consequência dessa escolha?

Chega disso, sim?
Antes de tudo somos pessoas, com valores e com sonhos. O resto muda-se, como a descrição do perfil do instagram.

A sorte é que somos millemnials, muito gratos mas inconformados, eternos lutadores e com muita vontade de ser felizes.

[caramba que este blog já parece escrito pela resistência!]

Só vês o que queres ver





Sabem aquela minha vontade [impossível] de aprender tudo, ver tudo, conhecer tudo e por aí? Pois é, este ano começou em altas e assim que vi o anúncio do filme nem pensei duas vezes: bora ver cinema brasileiro. 

Cinema brasileiro simplesmente não existe na televisão portuguesa. Vemos (ou dão-nos a ver) muito pouco cinema sem ser o típico filme americano. E isso tem de ser contrariado, devíamos ver muito mais do que se faz por aí (e há tanta coisa boa!) sem ter de ir aos festivais de cinema. Não falo só de cinema brasileiro, mas de outros países no geral. 

Eu desconhecia por completo a existência da irmã Dulce mas posso dizer que chorei baba e ranho! *fazer o quê?* Histórias assim inspiradoras têm sempre o mesmo resultado. A M. fica a olhar para mim com aquele ar que é um misto de preocupação e "gosto muito de ti, mas és tão parva. Deixa-te disso e faz-me festas".


Outra das coisas que vi recentemente foi um documentário sobre um tema que a mim me interessa bastante, o lixo. Descobri O lixo extraordinário no Youtube e adorei. Nem sequer conhecia o artista plástico Vik Muniz mas achei maravilhosa a ideia de ele querer retribuir ao país dele e usar o lixo como veículo para ajudar a mudar a vida das pessoas que trabalham no maior aterro sanitário da América Latina - o Jardim Gramacho, situado no Rio de Janeiro.

Foi um grande combo, trabalhar com lixo, ajudar as pessoas, alertar para uma série de questões e mostrar ao mundo outras realidades. Fiquei chocada com as condições em que as pessoas vivem...

Isto tudo para dizer que mais uma vez temos de contrariar o sistema e expandir um bocado a nossa visão das coisas. Hoje em dia não temos desculpa para não ver coisas diferentes já que temos acesso a tudo e mais alguma coisa à distância de um clique.