18 outubro 2017

#2 Os cromos da Bola - O dia em que a minha paciência morreu


Ainda bem que isto é uma blog pequenino arrumado no canto mais profundo da blogosfera. Toda a gente sabe que eu adoro cantinhos, se este blog estivesse num armazém de blogs (imaginem uma espécie de sala das Profecias do Harry Potter e a Ordem da Fénix), este blog estaria lá ao fundo a um canto no corredor mais ao canto, no canto mais discreto que houvesse.

Voltando ao drama que é a minha vida - e sim, eu sei que tenho uma vida santa comparado com tanta gente deste planeta, e não é que não seja grata, que juro que sou, mas às vezes uma pessoa dá em maluca - ontem é Zé Augusto* e a Prazeres* (sou a pior) decidiram fazer ou continuar um DIY de bricolage ao serão.

Mas o Zé Augusto e a Prazeres não se devem ter limitado a comprar uma BESTA do IKEA - ora eu não sei que porcaria andam eles a construir - e não vos passa pela cabeça as coisas que o meu cérebro já processou...umas mais erótico-badalhocas que outras - mas enquanto me tentava focar no lixo televisivo dos casamentos ciganos e no meu livro novo, só ouvia parafusos a cair e coisas a arrastar e por mais que eu tentasse aquele parágrafo que já tinha lido cinco vezes continuava a não fazer sentido com aquele barulho mesmo por cima da minha cabeça.

E foi assim que telefonei à PSP. Vão por mim, eu sou das pessoas mais calmas que conheço, sou tolerante, já ouvi a Prazeres a andar com os calcanhares muitas vezes durante a noite, a arrumar o seu closet (ou que raio era), a bater com a porta para ir trabalhar ao sábado enquanto o Augusto continua sem sucesso na sua carpintaria amadora rasca montada na sala com tábuas e suportes do Leroy Merlin a tentar construir a sua obra de arte - mais uma vez, seja lá o que isso for. Se calhar estão a restaurar algum Queen Anne que compraram no OLX, porque todos os Domingos o Augusto usa o berbequim pelo menos uma ou duas vezes, seguido do martelo, que depois põe no chão mesmo por cima da minha cabecinha novamente.

Dizia a R. quando lhe contei "filha, isso só se faz em último caso! devias ter ido lá falar, é a falar que as pessoas se entendem!".

A questão é: eu nunca vi a cara do Augusto e da Prazeres - apesar de saber que são um casal bastante feliz e...activo! e sim, e desejo-lhes toda a felicidade do mundo (quero lá saber), mas eu dispenso que partilhem tanto da vida deles comigo, se é que me faço entender.

Agora imaginem um deles a abrir-me a porta e o meu cérebro a dizer-me "ENTÃO FOSTE TU NO OUTRO DIA ÀS 4 DA MANHÃ!!! AHAHAHAHAHA". Tudo fica mais divertido quando se associa uma cara à acção. Como é que eu me podia rir numa altura daquelas quando já é a segunda noite mal dormida devido à Prazeres ser uma pessoa notívaga?

Quando quero pedir-lhes por favor que me deixem dormir em paz porque - sei lá, estou na minha casa, já passa das 23h, no dia a seguir trabalho e acho que tenho esse direito...?

Sabem a vizinha que toda a gente odeia? Desconfio que sou eu.
E sabem que mais? i don't give a shit

*nomes fictícios, até porque não sei os nomes reais

17 outubro 2017



Portugal está a arder.
Na verdade, Portugal arde à anos, lentamente. Perdem-se vidas, árvores, animais, pessoas.

Gosto de acreditar que a minha opinião - talvez menos aprofundada que a de muita gente - é tão válida quanto a de toda a gente que aponta o dedo. Porque todos apontamos o dedo a alguém ou alguma coisa. Querem que a ministra vá de férias de vez e já há petições para isso. Já eu estou a lixar-me para a ministra e para as férias dela. Porque deles, honestamente não espero nada, e neste momento é quem menos interessa no meio disto tudo. Assim como nunca esperei dos que lá estiveram antes, que ficaram a ver passivamente bombeiros e pessoas a perder vidas por causa da sua falta de responsabilidade. É disso que se trata: falta de responsabilidade. Numa empresa, quando há asneirada somos postos na rua por justa causa. Onde está a justa causa para os governantes? Não há todo um plano: daqueles cheios de burocracias que demoram anos a fazer e a aprovar, daqueles que dão trabalho a 50 pessoas pessoas das 9.00h às 17.00h e que no final pouco ou nada do que lá está escrito (em centenas de páginas, porque é sempre assim) é feito? Não existe um estudo que diga que medidas tem de ser tomadas?

Não quero saber quem está no poleiro, independentemente de quem lá esteja já sabemos que pouco ou nada podemos esperar. Porque Portugal sempre foi assim, e a mentalidade não muda. E se não muda, talvez seja porque a abordagem está errada. Porque se erramos uma vez e continuamos a dar a mesma resposta ao mesmo problema é óbvio que não se vai resolver.


12 outubro 2017

NEM 8 NEM 80 - SEJAMOS UM SÓLIDO 36 (FICA A MEIO)



Minimalismo não é viver só com trinta coisas. É viver com aquilo que precisamos, sem excessos e que nos faz feliz. Não nos vamos livrar de coisas que nos fazem spark joy só porque algum minimalista extremista dorme num colchão no chão numa divisão sem nada.

Apesar de já não ter mais de metade das minhas coisas, ainda tenho um longo caminho a fazer.
Quando mudei para uma casa maior (não tão maior assim), não fui a correr arranjar mais móveis que não preciso para guardar mais coisas que não preciso.




























Todos temos uma imagem na cabeça de como será a decoração ideal da nossa casa - aquela casa que provavelmente também não corresponde à imagem mental que criámos para ela, mas pus essas ideias de lado e limitei-me a decorar com o que tinha. É um work in progress constante (umas coisas vão, outras vêem - se necessárias) mas não tenho aquela vontade de ir a correr para o centro comercial perder tempos sem fim a encontrar coisas que - guess what - também não preciso.

Esqueçam aqueles estilos pré-definidos, esqueçam o catálogo da Zara Home - esqueçam isso, não vamos mudar os móveis da sala por cada estação, nem vamos mudar de casa uma vez por ano e por isso não vamos ter aqueles janelões maravilhosos ( para mim se não tiver aqueles frisos azuis com frutas na cozinha já é uma sorte), nem dar jantares para 45 pessoas, nem um estilo tropical, um estilo marroquino, um estilo natural, um estilo industrial (gente, só temos uma cozinha e uma sala!) e pior - não vamos ter a casa imaculada o ano inteiro. Isso não existe - é por isso que são catálogos, sim?

Se gostam de uma casa estilo "avó" (by the way, avó devia ser considerado um estilo de decoração - quem sabe não vira moda também?), então tenham uma casa estilo avó!

A casa só tem de ser um espelho do que nós somos. Mais do que estilos e tendências, eu procuro objectos que se identifiquem comigo, por isso nem ligo àqueles esquemas cromáticos do pinterest que ao fim de dois meses já me enjoam, e deixem as telas das orquídeas e dos budas nas lojas por favor. Tenho um ódio de morte a essas telas de "gabinete de estética" que nem consigo explicar.


Uma casa com personalidade é uma casa que é a vossa cara. Que tem quadros que vocês gostam (mesmo que as cores não combinem), texturas confortáveis, que tem velas com o vosso cheiro preferido e peças de família que sempre quiseram porque vos fazem sentir...em casa! A vossa casa não tem de provar nada a ninguém. Tem de ser só o vosso refúgio. Onde acendem velas num dia à noite só porque sim, onde tem a vossa colecção de discos preferida, o bule de chá da avó ou o espelho vintage no quarto, a cadeira que veio da casa dos pais, as fotografias da vossa vida e não os posters do IKEA (still love you IKEA). Uma casa com coisas que nos faz sentir bem, que tem plantas oferecidas por amigos, os vossos livros, frascos de perfumes acabados mas que não conseguem deitar fora porque vos traz recordações, lembranças de viagens e por aí a fora.

E podem demorar uma semana, um ano ou uma vida a construí-la, mas gozem a viagem, porque a vida nem sempre é feita de Klapaucius e rosebuds (pessoas que não sejam dos 90s - google it).

No final do dia o que interessa é sentirem-se bem onde estão, e o mais importante não é ter uma casa de catálogo, é ter uma casa que vos faz sentir bem e terem quem importa ao vosso lado. Neste caso, a largar pelinhos por toda a cama... mas está tudo bem, ela vale milhões de edredons e tapetes com pelinhos.


11 outubro 2017

RUINAS DO CARMO


























O Convento do Carmo foi mandado construír pelo D. Nuno Álvares Pereira em 1389 - ou seja, "só" à 628 anos...

As ruínas do Convento do Carmo como as conhecemos dispensam apresentação. O que eu não sabia é que o terramoto que fez com que ficasse assim foi no dia 1 de Novembro - dia de Todos os Santos (oh, a ironia), e como se isso não bastasse além do terramoto o convento ainda sofreu com um incêndio (não porque é hygge, mas porque onde há coisas religiosas, há velas).